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Como Usar Imagens em Materiais Educacionais sem Transformá-las em Decoração

há 9 horas
5 min de leitura

Imagens podem facilitar a compreensão, representar situações difíceis de explicar com palavras e direcionar a atenção do participante. Mas também podem ocupar espaço, competir com o conteúdo e aumentar a quantidade de informações que precisam ser processadas sem acrescentar valor à aprendizagem.


No Design Instrucional, portanto, a pergunta não deveria ser apenas “qual imagem combina com este slide?”, mas principalmente: “o que esta imagem ajuda o participante a compreender?”


Essa mudança parece simples, mas transforma a forma como escolhemos recursos visuais.


1. Nem Toda Imagem Precisa Ensinar, mas Toda Imagem Precisa Ter uma Função


Uma imagem pode cumprir diferentes papéis em um material educacional. Ela pode explicar um conceito, demonstrar uma situação, representar visualmente uma informação, direcionar a atenção ou criar contexto para uma atividade.


O problema aparece quando utilizamos imagens apenas porque existe um espaço vazio na tela.


Aquela fotografia genérica de pessoas apontando para um notebook pode deixar o slide visualmente mais preenchido, mas talvez não ajude em nada o participante a compreender o conteúdo.


Antes de inserir uma imagem, podemos identificar sua função:


  • representar: mostrar aquilo sobre o que estamos falando;

  • explicar: tornar um conceito ou relação mais compreensível;

  • demonstrar: mostrar como algo acontece ou deve ser feito;

  • organizar: ajudar a visualizar etapas, categorias ou relações;

  • contextualizar: criar uma situação para análise;

  • sinalizar: direcionar a atenção para uma informação importante.


Quando não conseguimos identificar nenhuma função, talvez a imagem seja apenas decorativa.


2. Prefira Imagens que Carreguem Informação

Considere um treinamento sobre ergonomia.


Podemos utilizar uma fotografia genérica de alguém trabalhando em um escritório ou uma imagem que mostre claramente posição do monitor, altura da cadeira, apoio dos pés e postura recomendada.


As duas representam um ambiente de trabalho, mas a segunda possui maior valor instrucional porque contém informações que podem ser observadas e analisadas.


O mesmo princípio vale para diferentes conteúdos. Em um treinamento sobre segurança, podemos mostrar uma situação para que o participante identifique riscos. Em um curso sobre atendimento, podemos apresentar uma interface real do sistema. Em um treinamento técnico, podemos destacar componentes de um equipamento.


A imagem passa a fazer parte do conteúdo, em vez de apenas acompanhar o conteúdo.


3. Use Imagens para Mostrar o que Seria Difícil Explicar Apenas com Texto


Algumas informações são naturalmente visuais.


Explicar detalhadamente a localização de um botão em um sistema pode exigir várias frases. Uma captura de tela com uma sinalização adequada pode comunicar a mesma informação com muito mais clareza.


Da mesma forma, fluxos, estruturas, relações espaciais, equipamentos, interfaces e transformações podem ser mais bem compreendidos visualmente.


Uma pergunta útil para o Designer Instrucional é:


“Existe algo neste conteúdo que o participante precisa ver para compreender melhor?”


Se a resposta for sim, temos uma boa oportunidade para utilizar imagens com função instrucional.


4. Imagem e Texto Devem Trabalhar Juntos


Inserir uma imagem relevante não significa que ela será automaticamente compreendida.


Às vezes, precisamos indicar exatamente o que o participante deve observar. Podemos utilizar pequenas legendas, setas, destaques, círculos ou numeração para conectar a explicação à parte correspondente da imagem.


Imagine uma captura de tela com vinte campos diferentes enquanto o texto explica apenas um deles. Se não houver qualquer indicação visual, o participante precisará procurar sozinho o elemento mencionado.


Uma pequena sinalização pode reduzir esse esforço.


O importante é evitar o extremo oposto: tantas setas, caixas, cores e legendas que a própria sinalização se transforma em ruído.


5. Cuidado com Imagens que Competem com a Mensagem


Uma imagem pode ser bonita e ainda assim prejudicar a comunicação.


Fundos muito detalhados, fotografias com muitos elementos, ilustrações excessivamente complexas e imagens com textos incorporados podem disputar atenção com aquilo que realmente precisa ser aprendido.


Por isso, ao avaliar uma imagem, não considere apenas sua qualidade estética. Observe também:


Ela facilita ou dificulta a leitura?

Existe informação visual desnecessária?

O olhar vai primeiro para aquilo que importa?

A imagem continua compreensível no tamanho em que será apresentada?


Em materiais educacionais, a melhor imagem nem sempre é a mais impactante. Muitas vezes, é a que torna uma informação mais clara.


6. Use Fotografias para Criar Contexto e Decisão


Fotografias também podem ter uma função instrucional muito interessante quando utilizadas para construir situações.


Em vez de mostrar uma foto de um ambiente hospitalar apenas para ilustrar um treinamento, podemos apresentar uma cena e perguntar:


“Quais riscos você identifica nesta situação?”


Em um treinamento de segurança, uma imagem pode servir para identificação de comportamentos inadequados. Em atendimento, pode contextualizar uma situação. Em liderança, pode iniciar uma discussão sobre comportamentos observáveis.


Nesse caso, a fotografia deixa de ser decoração e passa a funcionar como estímulo para análise, discussão ou tomada de decisão.


7. Evite Representações Visuais que Reforcem Estereótipos


A escolha das imagens também comunica quem imaginamos como participante, cliente, liderança, especialista ou profissional.


Se todas as imagens de liderança mostram o mesmo perfil de pessoa ou determinadas profissões aparecem sempre associadas ao mesmo gênero, idade ou característica, o material pode reproduzir estereótipos sem que isso tenha sido uma decisão consciente.

Vale observar o conjunto do material, e não apenas cada imagem individualmente, buscando representações variadas e coerentes com a realidade do público.


A escolha visual também faz parte da qualidade da experiência de aprendizagem.


8. Imagens Geradas por IA Também Precisam de Critério Instrucional


Ferramentas de Inteligência Artificial ampliaram enormemente a possibilidade de criar imagens personalizadas para materiais educacionais. Isso permite representar cenários específicos, profissões, ambientes e situações que seriam difíceis de encontrar em bancos de imagens.


Mas gerar uma imagem personalizada não garante que ela seja instrucionalmente relevante.


Antes de utilizar uma imagem criada por IA, é importante verificar se ela representa corretamente a situação, se não contém erros visuais ou técnicos e se realmente contribui para o objetivo.


Em conteúdos técnicos, esse cuidado é ainda mais importante. Um equipamento, procedimento ou ambiente representado incorretamente pode ensinar algo errado.


Um Checklist para Escolher Imagens


Antes de inserir uma imagem em um material educacional, pergunte:


  • Qual é a função desta imagem?

  • Ela ajuda a explicar, demonstrar, organizar ou contextualizar?

  • Existe alguma informação importante que o participante deve observar?

  • Preciso utilizar sinalização para direcionar a atenção?

  • A imagem possui detalhes que competem com a mensagem?

  • Ela está adequada ao público e ao contexto?

  • Existe algum risco de erro técnico ou representação inadequada?

  • Se eu retirar essa imagem, a aprendizagem perde alguma coisa?


A última pergunta é especialmente útil. Se retirarmos a imagem e absolutamente nada mudar, talvez ela esteja cumprindo apenas uma função estética.


Conclusão


Imagens podem ser poderosas ferramentas de Design Instrucional quando ajudam o participante a visualizar aquilo que precisa compreender, identificar ou fazer.


Isso não significa eliminar toda imagem decorativa ou transformar cada tela em um diagrama técnico. Significa utilizar os recursos visuais com intenção.


Em vez de escolher uma imagem apenas porque ela “combina com o assunto”, podemos perguntar:


“O que quero que o participante perceba, compreenda ou faça por causa desta imagem?”


Quando existe uma boa resposta para essa pergunta, a imagem deixa de apenas preencher espaço.


Ela passa a fazer parte da aprendizagem.


IDI Instituto de Desenho Instrucional


   

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