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Como Lidar com Especialistas que Querem Colocar Tudo no Treinamento

há 2 dias
3 min de leitura

Quem trabalha com Design Instrucional provavelmente já viveu esta situação: o especialista entrega uma apresentação com dezenas de slides, documentos, normas, conceitos e exemplos — e considera que tudo é essencial.


Quando o Designer Instrucional sugere reduzir o conteúdo, surge a preocupação:

“Mas eles precisam saber disso.”


O desafio é que dominar um assunto não significa precisar ensinar tudo sobre ele. Uma das funções mais importantes do Design Instrucional é justamente transformar conhecimento especializado em uma experiência de aprendizagem relevante, aplicável e possível de ser assimilada.


1. O Especialista Enxerga o Tema de um Lugar Diferente


O especialista possui anos de experiência e consegue perceber relações que um iniciante ainda não consegue estabelecer.


Por isso, informações que parecem básicas para ele podem ser complexas para o aprendiz.


Ao construir um treinamento, precisamos olhar para o conteúdo a partir de outra perspectiva:


O que essa pessoa realmente precisa saber para conseguir fazer o que esperamos dela?


Essa pergunta ajuda a deslocar a conversa do conteúdo para a performance.


2. Comece pelo Objetivo, Não pelo Material


Um erro comum é receber todo o conteúdo do especialista e começar imediatamente a organizá-lo em módulos.


Antes disso, defina:

O que esperamos que o participante consiga fazer depois da experiência?

Se o objetivo é capacitar alguém para realizar determinado processo, cada conteúdo pode passar por um filtro:

Essa informação ajuda diretamente a executar esse processo?


Se não ajuda, talvez não precise estar no treinamento principal.


3. Use a Regra: Precisa Saber, É Bom Saber e Pode Consultar


Uma classificação simples ajuda muito na conversa com especialistas.


Precisa saber: conhecimento indispensável para executar corretamente.

É bom saber: amplia a compreensão, mas não é essencial naquele momento.

Pode consultar: informação importante, mas que pode estar disponível como apoio quando surgir a necessidade.


Essa lógica ajuda a construir uma experiência de aprendizagem mais enxuta sem necessariamente eliminar informações importantes.


4. Nem Todo Conhecimento Precisa Virar Conteúdo de Curso


Algumas informações funcionam melhor como:


  • checklist;

  • FAQ;

  • manual;

  • guia rápido;

  • infográfico;

  • base de conhecimento;

  • material complementar.


O participante não precisa memorizar tudo aquilo que pode consultar facilmente no momento da necessidade.


Essa distinção reduz sobrecarga e permite concentrar o treinamento naquilo que realmente precisa ser compreendido, praticado e desenvolvido.


5. Mostre o Custo do Excesso de Conteúdo


Em vez de simplesmente dizer:

“Temos conteúdo demais.”

o Designer Instrucional pode explicar o impacto.


Quanto mais informações são incluídas, mais tempo será necessário, maior será a carga cognitiva e menor poderá ser o espaço destinado à prática.


Existe sempre uma escolha.


Se adicionarmos mais 30 minutos de explicação, talvez tenhamos 30 minutos a menos para casos, simulações ou feedback.


A discussão deixa de ser sobre cortar conteúdo e passa a ser sobre priorizar aprendizagem.


6. Transforme o Especialista em Parceiro da Curadoria


O Designer Instrucional não precisa conhecer mais sobre o assunto do que o especialista.

Seu papel é fazer perguntas que ajudem a organizar esse conhecimento.


Por exemplo:


Quais erros os iniciantes mais cometem?

O que diferencia alguém experiente de alguém iniciante?

Quais decisões são mais difíceis?

Que conhecimento precisa estar disponível de memória?

O que pode ser consultado?

Se tivéssemos metade do tempo, o que seria indispensável ensinar?


Essas perguntas ajudam a extrair o conhecimento realmente relevante para o desenho da aprendizagem.


7. O Melhor Conteúdo do Especialista Pode Não Estar nos Slides


Muitas vezes, o material entregue contém conceitos e informações formais.


Mas, durante uma conversa, o especialista começa a contar:


“Quando acontece isso, eu normalmente verifico primeiro…”

“Esse é o erro que mais acontece…”

“Nessa situação, existem três possibilidades…”


É justamente aí que aparecem critérios, decisões, exceções e experiências que podem gerar excelentes casos e atividades.


O trabalho de Design Instrucional também envolve transformar conhecimento tácito em experiências que outras pessoas possam utilizar.


8. Curadoria Não é Empobrecer o Conteúdo


Reduzir conteúdo pode parecer perda de profundidade.


Mas uma experiência menor e mais focada pode gerar muito mais aprendizagem do que uma grande quantidade de informações apresentadas superficialmente.


O objetivo não é ensinar menos por ensinar menos.


É garantir que aquilo que permanece tenha propósito, relevância e possibilidade de aplicação.


Conclusão


Especialistas são fundamentais para construir boas experiências de aprendizagem. Eles conhecem os detalhes, exceções, riscos e desafios reais do trabalho.


Mas exatamente por conhecerem tanto, podem ter dificuldade para decidir o que um iniciante realmente precisa aprender.


É aí que entra o Designer Instrucional.


Seu papel não é simplesmente organizar tudo aquilo que o especialista deseja ensinar.


É fazer a curadoria necessária para transformar conhecimento especializado em aprendizagem.


Quando surgir o clássico:

“Mas tudo isso é importante!”

talvez a pergunta mais útil seja:

“Importante para o especialista saber ou necessário para o aprendiz conseguir fazer?”


Essa diferença pode transformar completamente o treinamento.


IDI Instituto de Desenho Instrucional


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