top of page

Como Escolher o Melhor Modelo de Design Instrucional para Cada Projeto

há 8 minutos
6 min de leitura

ADDIE, SAM, Backward Design, Design Thinking e Action Mapping são abordagens frequentemente utilizadas no desenvolvimento de soluções educacionais. Cada uma oferece uma maneira de organizar decisões, compreender necessidades e estruturar experiências de aprendizagem.


Entretanto, diante de tantas possibilidades, surge uma dúvida: qual modelo de Design Instrucional é mais adequado para cada projeto?


A resposta depende de fatores como complexidade da solução, prazo disponível, características do público, maturidade da equipe e natureza do problema que precisa ser resolvido.


No Design Instrucional, conhecer diferentes modelos é importante, mas saber quando e como utilizá-los é o que permite transformar metodologias em decisões práticas.


1. Não Existe um Modelo Ideal para Todos os Projetos


Um erro comum é adotar um único modelo de Design Instrucional para qualquer demanda, independentemente de suas características.


Imagine dois projetos.


O primeiro envolve o desenvolvimento de um treinamento obrigatório sobre um procedimento regulamentado, com conteúdos definidos, critérios de aprovação e necessidade de documentação.


O segundo busca desenvolver uma experiência inovadora para melhorar a colaboração entre equipes, mas ainda não existe clareza sobre as principais dificuldades ou sobre a solução mais adequada.


Embora ambos sejam projetos educacionais, suas necessidades são diferentes.


O primeiro pode exigir maior formalização, rastreabilidade e validação. O segundo pode se beneficiar de investigação, experimentação e ciclos rápidos de melhoria.


O modelo deve apoiar as necessidades do projeto, e não obrigar o projeto a seguir uma estrutura inadequada.


2. ADDIE: Quando o Projeto Exige Organização e Controle


O ADDIE é uma das referências mais conhecidas do Design Instrucional. Sua estrutura contempla cinco processos: análise, design, desenvolvimento, implementação e avaliação.


Sua principal contribuição é oferecer uma visão organizada das decisões necessárias para desenvolver uma solução educacional.


O ADDIE pode ser especialmente útil quando o projeto apresenta:


  • diferentes partes interessadas;

  • necessidade de documentação;

  • etapas formais de validação;

  • conteúdos técnicos ou regulamentados;

  • múltiplas entregas e responsáveis;

  • critérios claros de qualidade.


Imagine o desenvolvimento de um programa institucional de capacitação para centenas de colaboradores.


Nesse contexto, o ADDIE pode ajudar a organizar o diagnóstico, os objetivos, a produção dos materiais, a implementação e a avaliação.


Entretanto, isso não significa que o processo precise ser rigidamente linear. As etapas podem ser revisitadas conforme surgem novas informações.


3. SAM: Quando Precisamos Prototipar e Ajustar Rapidamente


O SAM (Successive Approximation Model) valoriza ciclos de desenvolvimento, prototipagem, análise e refinamento.


Em vez de esperar que toda a solução esteja detalhada para iniciar a produção, podemos criar versões preliminares e testá-las com representantes do público e especialistas.


Essa abordagem pode ser especialmente interessante quando:


  • existem incertezas sobre a solução;

  • o projeto exige diferentes interações;

  • a experiência precisa ser validada rapidamente;

  • o feedback dos usuários é essencial;

  • existe possibilidade de realizar ajustes durante o desenvolvimento.


Imagine a criação de uma simulação digital para treinar decisões de liderança.

Antes de desenvolver toda a experiência, podemos produzir um protótipo com um cenário, algumas alternativas e feedbacks.


O teste permite identificar problemas de navegação, compreensão e realismo antes de ampliar a produção.


O cuidado é não confundir desenvolvimento iterativo com ausência de planejamento. Mesmo no SAM, precisamos de objetivos, critérios de qualidade e decisões instrucionais fundamentadas.


4. Backward Design: Quando o Foco Está nos Resultados de Aprendizagem


O Backward Design propõe começar o planejamento pelos resultados esperados, definir as evidências de aprendizagem e, somente depois, selecionar conteúdos e atividades.


Essa abordagem é especialmente útil quando precisamos garantir coerência entre objetivos, avaliações e experiências.


Imagine um programa para desenvolver habilidades de negociação.


Se começarmos apenas pelos conteúdos, podemos construir módulos sobre comunicação, argumentação e técnicas de negociação.


Com o Backward Design, começamos perguntando:

“O que o participante deverá conseguir demonstrar ao final?”


Se a resposta envolve conduzir negociações considerando interesses, alternativas e critérios objetivos, precisamos planejar avaliações e práticas que permitam observar essas habilidades.


O Backward Design é particularmente útil para evitar treinamentos com muitos conteúdos, mas poucas oportunidades de demonstrar o desempenho esperado.


5. Action Mapping: Quando a Demanda Está Relacionada à Performance


O Action Mapping, abordagem desenvolvida por Cathy Moore, propõe começar pelo problema de desempenho e pelas ações necessárias para melhorar os resultados.


Sua principal contribuição é questionar se a necessidade apresentada realmente exige treinamento.


Imagine que uma empresa solicita um curso sobre produtividade porque as equipes não estão cumprindo prazos.


Antes de desenvolver o conteúdo, precisamos investigar as causas.


Os atrasos acontecem por falta de conhecimento? Processos inadequados? Prioridades conflitantes? Ausência de recursos?


Se o problema estiver relacionado a processos ou condições de trabalho, um treinamento isolado provavelmente não será suficiente.


O Action Mapping ajuda a conectar resultados organizacionais, comportamentos esperados e atividades práticas.


É especialmente relevante quando o objetivo envolve melhorar a execução de tarefas e produzir mudanças observáveis no trabalho.


6. Design Thinking: Quando Precisamos Compreender Melhor o Problema


O Design Thinking é uma abordagem centrada nas pessoas que utiliza investigação, geração de ideias, prototipagem e testes para desenvolver soluções.


Embora não seja um modelo de Design Instrucional propriamente dito, pode complementar o processo de desenvolvimento educacional.


Imagine que uma organização identifica baixa participação em seus programas de aprendizagem.


Antes de criar novos cursos, podemos investigar a experiência dos colaboradores, compreender barreiras, identificar necessidades e testar diferentes soluções.


Talvez o problema esteja relacionado à dificuldade de acesso, à falta de tempo, à pouca relevância dos conteúdos ou à ausência de oportunidades de aplicação.


Nesse contexto, o Design Thinking pode ajudar a compreender melhor a experiência do público e explorar alternativas antes de definir a solução.


7. Compare os Modelos Antes de Escolher


Uma forma prática de tomar decisões é comparar a principal contribuição de cada abordagem.

Modelo ou abordagem

Principal contribuição

Quando considerar

ADDIE

Organização do processo de desenvolvimento

Projetos com múltiplas etapas, entregas e validações

SAM

Prototipagem e melhoria iterativa

Soluções que exigem testes e ajustes frequentes

Backward Design

Alinhamento entre resultados, avaliação e atividades

Projetos orientados ao desenvolvimento de competências

Action Mapping

Conexão entre aprendizagem e desempenho

Demandas relacionadas a problemas de performance

Design Thinking

Investigação das necessidades e experimentação

Projetos com problemas pouco definidos ou necessidade de inovação

Essa comparação não deve ser interpretada como uma classificação rígida.


As abordagens possuem finalidades e níveis de aplicação diferentes. Algumas ajudam a organizar o processo completo, enquanto outras orientam decisões específicas.


8. É Possível Combinar Diferentes Modelos?


Sim. Na prática, combinar abordagens pode ser mais útil do que escolher apenas uma.

Imagine um projeto de desenvolvimento de lideranças.


Podemos utilizar o Action Mapping para investigar o problema de desempenho e identificar os comportamentos necessários.


Em seguida, aplicar o Backward Design para definir os resultados de aprendizagem e as evidências que demonstrarão o desenvolvimento das competências.


O ADDIE pode organizar as etapas de desenvolvimento e implementação, enquanto práticas do SAM podem apoiar a prototipagem e os testes das atividades.


Nesse exemplo, cada abordagem contribui para uma necessidade específica.


O cuidado é evitar combinações excessivamente complexas, que acrescentem etapas e documentos sem gerar benefícios reais para o projeto.


Como Escolher o Modelo na Prática


Antes de definir a abordagem, considere algumas perguntas:


1. Qual é a natureza da demanda? Precisamos desenvolver conhecimentos, habilidades ou resolver um problema de desempenho?

2. O problema está suficientemente definido? Já compreendemos as necessidades ou precisamos investigar melhor o contexto?

3. Qual é a complexidade do projeto? Existem muitos envolvidos, conteúdos, recursos ou etapas de validação?

4. Quanto tempo temos disponível? O cronograma permite prototipagem e ciclos de melhoria?

5. Qual é o nível de incerteza? A solução já está definida ou precisará ser testada?

6. Como demonstraremos os resultados? Existem objetivos e evidências de aprendizagem claramente estabelecidos?

7. Qual é a maturidade da equipe? Os profissionais possuem experiência e recursos para aplicar a abordagem escolhida?


Essas respostas ajudam a selecionar uma estrutura compatível com a realidade do projeto.


Conclusão


Conhecer diferentes modelos de Design Instrucional amplia as possibilidades de planejamento e desenvolvimento de soluções educacionais.


Entretanto, a escolha não deve ser orientada apenas pela popularidade de uma metodologia ou pela familiaridade da equipe com determinado modelo.


O mais importante é compreender o problema, identificar as características do projeto e selecionar abordagens que contribuam para decisões mais adequadas.


No Design Instrucional, modelos são referências para orientar o trabalho, não estruturas que precisam ser seguidas sem questionamento.


Por isso, antes de escolher uma metodologia, pergunte:

“Quais decisões este projeto exige e qual abordagem pode nos ajudar a tomá-las melhor?”


Essa pergunta desloca o foco da aplicação de um modelo para a qualidade da solução educacional.


Porque o melhor modelo de Design Instrucional não é necessariamente o mais conhecido ou o mais completo. É aquele que ajuda a desenvolver a solução mais adequada ao problema, ao público e aos resultados esperados.


IDI Instituto de Desenho Instrucional


Comentários


bottom of page