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Treinamento não é linha de produção — e T&D precisa parar de fingir que é

O limite do pensamento linear em T&D


Durante muito tempo, T&D foi estruturado a partir de uma lógica previsível: identificar lacunas, desenhar treinamentos, aplicar conteúdos e medir resultados. Esse modelo pressupõe estabilidade, controle e linearidade. O problema é que as organizações reais operam em ambientes dinâmicos, ambíguos e interdependentes. Pensar aprendizagem como algo previsível ignora sua natureza viva e relacional, o que exige uma visão mais sistêmica da aprendizagem nas organizações.


Organizações não são máquinas — são sistemas complexos


Em sistemas complexos, pequenas mudanças geram grandes impactos, comportamentos emergem da interação entre pessoas e decisões não seguem relações simples de causa e efeito. O mesmo vale para a aprendizagem. O que uma pessoa aprende, aplica ou ignora depende do contexto, da pressão, da cultura e das relações. É por isso que T&D precisa aprender com a lógica da complexidade organizacional, e não apenas com modelos instrucionais tradicionais.


Características de sistemas complexos aplicadas à aprendizagem:


  • Não linearidade nos resultados

  • Interdependência entre pessoas, processos e cultura

  • Adaptação constante ao ambiente

  • Comportamentos emergentes e imprevisíveis


Por que bons treinamentos não geram bons resultados


Muitas iniciativas de T&D são bem desenhadas, bem avaliadas e ainda assim falham em gerar impacto. Isso acontece porque o treinamento é tratado como solução isolada, desconectada do sistema maior em que o trabalho acontece. Sem alinhamento com processos, liderança e tomada de decisão, o conhecimento não se sustenta. O desafio está menos no conteúdo e mais na aplicação do aprendizado no contexto real.


Aprendizagem como sistema adaptativo


Quando enxergamos a aprendizagem como um sistema adaptativo, entendemos que ela se ajusta continuamente às interações do ambiente. Pessoas aprendem observando, errando, ajustando e trocando experiências. T&D, nesse cenário, deixa de ser apenas fornecedor de cursos e passa a atuar como orquestrador de condições para que a aprendizagem emerja de forma contínua e relevante ao negócio.


O que muda quando T&D adota essa lógica:


  • Menos foco em eventos, mais foco em fluxos

  • Menos controle, mais feedback contínuo

  • Menos padronização rígida, mais adaptação local

  • Menos conteúdos fechados, mais aprendizagem social


O papel de T&D em ambientes complexos


Em vez de tentar prever todas as necessidades, T&D precisa criar estruturas flexíveis, capazes de responder rapidamente às mudanças. Isso envolve apoiar líderes, disponibilizar recursos no momento da necessidade e estimular a troca entre pares. Esse movimento aproxima T&D de uma atuação mais estratégica e integrada à dinâmica real do trabalho.


Design Instrucional além do curso


Nesse contexto, o Design Instrucional também se transforma. Ele deixa de ser apenas o desenho de experiências formais e passa a atuar no desenho de sistemas: fluxos de informação, apoios à decisão, experiências reflexivas e mecanismos de feedback. O foco não é controlar o aprendizado, mas favorecer sua emergência em ambientes reais e

complexos.


Medir impacto em sistemas complexos exige outro olhar


Avaliar aprendizagem em sistemas adaptativos não é apenas medir reação ou retenção de conteúdo. É observar mudanças de comportamento, padrões de decisão e efeitos no sistema ao longo do tempo. Isso exige métricas mais qualitativas, ciclos de feedback curtos e capacidade de aprender com o próprio processo de T&D.


Conclusão: T&D como arquiteto de sistemas de aprendizagem


Quando T&D reconhece que a aprendizagem não é linear nem previsível, ele amplia seu impacto. Em vez de tentar controlar o aprendizado, passa a desenhar ambientes mais inteligentes, capazes de aprender com o próprio funcionamento. Essa mudança de mentalidade é essencial para sustentar desempenho, adaptação e crescimento em contextos cada vez mais complexos.


IDI Instituto de Desenho Instrucional


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