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Realidade Aumentada e VR: Quando Faz Sentido no Corporativo

Realidade Aumentada (AR) e Realidade Virtual (VR) despertam fascínio imediato, mas também dúvidas legítimas sobre custo, escala e impacto real. No contexto corporativo, o erro mais comum é adotar essas tecnologias pelo apelo inovador, sem clareza de propósito pedagógico.


AR e VR só fazem sentido quando resolvem problemas reais de aprendizagem e desempenho dentro da educação corporativa.


1. Tecnologia não é estratégia de aprendizagem


Nenhuma tecnologia, por si só, garante aprendizado. AR e VR são meios — não fins — e devem ser avaliadas a partir do objetivo educacional, do risco envolvido e do tipo de competência a ser desenvolvida.Quando a escolha parte da tecnologia, e não da necessidade, o investimento tende a gerar baixo retorno no contexto organizacional.


2. Quando AR e VR fazem mais sentido


Essas tecnologias são especialmente eficazes quando:


  • o erro no mundo real é caro ou perigoso

  • o ambiente real é inacessível ou raro

  • a prática exige repetição segura

  • a aprendizagem depende de percepção espacial

  • o contexto real é complexo ou variável


Nesses casos, AR e VR ampliam a prática e reduzem riscos na aprendizagem corporativa.


3. VR: imersão para situações críticas


A Realidade Virtual cria ambientes imersivos que simulam contextos de alta complexidade. Ela é especialmente indicada para treinamentos de segurança, operação crítica, liderança em situações difíceis e tomada de decisão sob pressão. A imersão favorece memória emocional e aprendizagem experiencial na aprendizagem de adultos.


4. AR: apoio contextual no fluxo do trabalho


A Realidade Aumentada atua como camada de informação sobre o ambiente real. Ela é eficaz para suporte à execução, instruções passo a passo, manutenção, operação técnica e orientação em tempo real. Nesse uso, a AR se integra ao Learning in the Flow of Work.


5. O risco da espetacularização sem aprendizagem


Experiências imersivas mal desenhadas impressionam, mas não ensinam. Sem objetivos claros, prática orientada e feedback, AR e VR viram demonstrações tecnológicas sem impacto no desempenho. O encantamento inicial não sustenta aprendizagem dentro da estratégia educacional.


6. Design Instrucional é ainda mais crítico em ambientes imersivos


Quanto mais imersiva a experiência, maior o risco de sobrecarga cognitiva. O Design Instrucional precisa controlar ritmo, foco, desafios e informações disponíveis, garantindo que o aprendiz saiba onde olhar e o que fazer. Sem esse cuidado, a tecnologia prejudica a experiência de aprendizagem.


7. Escala, custo e manutenção: perguntas que precisam ser feitas


Antes de adotar AR ou VR, é essencial avaliar:


  • custo de desenvolvimento e atualização

  • disponibilidade de hardware

  • facilidade de acesso

  • escalabilidade para diferentes públicos

  • necessidade de suporte técnico


Esses fatores determinam se a solução é sustentável dentro do portfólio de aprendizagem.


8. AR e VR não substituem outras estratégias


AR e VR funcionam melhor quando complementam outras soluções. Elas não substituem trilhas, práticas no trabalho, mentoria ou feedback humano. Integradas a um ecossistema mais amplo, potencializam a transferência de aprendizagem.


9. Indicadores para avaliar impacto real


A decisão de manter ou expandir o uso dessas tecnologias deve se basear em dados como:


  • melhoria de desempenho

  • redução de erros

  • tempo até autonomia

  • segurança operacional

  • aplicação no trabalho


Esses indicadores ajudam a avaliar se AR e VR geram valor real para a organização.


10. Quando não faz sentido usar AR ou VR


AR e VR não são indicadas quando:


  • o objetivo é conceitual ou reflexivo

  • a prática real já é acessível e segura

  • o custo não se justifica pelo impacto

  • a complexidade tecnológica gera barreiras de acesso


Saber não usar também é decisão estratégica dentro da arquitetura de aprendizagem.


Conclusão


Realidade Aumentada e Realidade Virtual não são soluções universais, mas ferramentas poderosas quando aplicadas com critério. Elas fazem sentido quando ampliam a prática, reduzem riscos e aproximam a aprendizagem de contextos críticos — sempre orientadas por objetivos claros e Design Instrucional rigoroso.


No corporativo, inovação verdadeira não está em adotar a tecnologia mais avançada, mas em escolher a tecnologia certa para o problema certo. É nesse discernimento que a educação corporativa amadurece e o Design Instrucional cumpre seu papel estratégico.


IDI Instituto de Desenho Instrucional


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