Aprender Fazendo: O Impacto da Prática na Retenção
- Instituto DI

- 12 de nov. de 2025
- 3 min de leitura

Uma das perguntas mais frequentes entre profissionais de T&D é: “como garantir que os participantes realmente aprendam — e apliquem — o que foi ensinado?”. A resposta passa, inevitavelmente, pelo princípio de “aprender fazendo”. A prática ativa é uma das estratégias mais eficazes para transformar conhecimento em competência e garantir retenção de longo prazo.
Em um cenário corporativo que exige agilidade e performance, investir em experiências práticas não é apenas um diferencial metodológico, mas uma necessidade estratégica para impulsionar resultados organizacionais. Essa visão está no cerne de qualquer projeto robusto de desenvolvimento de aprendizagem.
1. Por que a prática tem tanto poder na aprendizagem
A aprendizagem não é um processo passivo. Para que a informação seja consolidada, ela precisa ser manipulada, testada e aplicada. Quando o aprendiz atua ativamente, cria conexões neurais mais fortes e duradouras, aumentando significativamente a retenção do conteúdo. Esse fenômeno é amplamente sustentado por estudos em neurociência e ciência da aprendizagem.
O princípio do “learning by doing” baseia-se na ideia de que as pessoas aprendem melhor quando participam ativamente da construção do conhecimento — em vez de apenas recebê-lo de forma expositiva. Essa é uma das bases que diferenciam treinamentos tradicionais de experiências de aprendizagem significativa.
2. A prática como elemento central no ciclo de aprendizagem
Segundo modelos amplamente utilizados, como o de David Kolb, a prática é parte essencial do ciclo de aprendizagem experiencial. Após receber um novo conceito (experiência concreta), o aprendiz precisa refletir sobre ele, abstrair o significado e testá-lo em novos contextos. Sem a etapa prática, a aprendizagem permanece superficial e tende a desaparecer rapidamente da memória de longo prazo.
Essa lógica é especialmente relevante em treinamentos corporativos, onde a aplicação direta no trabalho acelera o ganho de proficiência e reduz o “gap” entre teoria e execução. Inserir a prática como etapa estruturada — e não como atividade acessória — fortalece programas de T&D estratégico.
3. Prática ativa e transferência de aprendizagem
Para que a prática realmente tenha impacto, ela precisa estar conectada ao contexto real do trabalho. Quando o participante experimenta, simula ou resolve problemas próximos aos desafios que enfrenta no dia a dia, a transferência de aprendizagem ocorre de forma mais natural e efetiva.
Estratégias como estudos de caso, simulações, role plays, laboratórios de aprendizagem, dinâmicas de resolução de problemas e prototipagem são exemplos de como transformar conteúdos em experiências práticas. Isso permite que a aprendizagem deixe de ser abstrata e se torne parte do repertório profissional do colaborador. Essa conexão direta é um dos pilares de uma arquitetura instrucional bem estruturada.
4. O efeito da prática na retenção de longo prazo
A curva do esquecimento, amplamente estudada por Hermann Ebbinghaus, mostra que, sem reforço ativo, a maior parte do conteúdo aprendido é esquecida em poucos dias. No entanto, quando há participação prática e revisão intencional, a retenção aumenta exponencialmente.
A prática cria múltiplos caminhos de recuperação da informação, tornando o aprendizado mais resistente ao esquecimento. Além disso, estimula o aprendiz a desenvolver autonomia, pensamento crítico e confiança para aplicar o que aprendeu — competências fundamentais no contexto da educação corporativa.
5. Como incorporar prática de forma inteligente em treinamentos corporativos
Aplicar prática não significa improvisar. Requer planejamento cuidadoso e intencionalidade pedagógica. Algumas recomendações eficazes incluem:
Definir objetivos claros: a prática precisa estar diretamente relacionada aos resultados esperados;
Simular situações reais: quanto mais próximo do contexto de trabalho, maior a transferência;
Oferecer feedback estruturado: ajuda o aprendiz a ajustar rota e consolidar conhecimentos;
Equilibrar desafio e suporte: prática demais sem orientação pode gerar frustração; prática insuficiente gera esquecimento.
Integrar a prática desde o desenho do programa — e não como um complemento final — é um dos elementos mais potentes de uma boa estratégia de desenho instrucional.
6. Desafios e oportunidades para as áreas de T&D
Apesar de amplamente reconhecida, a prática ainda é subutilizada em muitos programas corporativos. Isso acontece, em parte, por falta de tempo, excesso de foco na transmissão de conteúdo e baixa integração com a rotina de trabalho. No entanto, as empresas que conseguem reposicionar a prática como elemento central ganham em performance e engajamento.
Essa mudança requer uma atuação mais estratégica da área de T&D: menos “agenda de treinamentos” e mais ecossistemas de aprendizagem aplicados, que conectam teoria, prática e indicadores de resultado. Isso fortalece o papel da área como vetor de transformação organizacional.
Conclusão
Aprender fazendo não é apenas uma metodologia — é um princípio estruturante da aprendizagem eficaz. Ao estimular o protagonismo do aprendiz, gerar experiências autênticas e criar espaços de prática intencional, profissionais de T&D garantem maior retenção e transferência para o ambiente de trabalho.
Mais do que informar, trata-se de formar — e isso só acontece quando a prática ocupa seu lugar central. Esse é um dos diferenciais mais importantes para quem deseja atuar de forma estratégica no campo do Design Instrucional.
IDI Instituto de Desenho Instrucional





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